Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

Por Dayane Almeida

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurológico e acomete cerca de 4% das crianças. São crianças que não param quietas, não se concentram nas aulas, está sempre no mundo da lua, se esquecem das coisas e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida.

Imagem do google

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Eu resolvi trazer esse assunto para o meu blog porque eu tenho o problema e só fui descobrir aos 23 anos. Gostaria de chamar a atenção dos pais para o TDAH porque eu sofri muito por ser portadora dele e acho que sofri mais por não saber que tinha e por passar a vida toda achando que era burra.

Se o seu filho mostra algum dos comportamentos citados no começo do texto é bom levá-lo ao médico. Eu fui diagnosticada por uma psicóloga que me encaminhou para um neurologista para fazer todos os exames necessários antes de afirmar que eu realmente tinha o transtorno.  É importante ter a certeza do diagnóstico porque muitas crianças estão fazendo tratamento para o transtorno sem tê-lo. “Ao longo do tempo, isso pode fazer com que a pessoa com TDAH atinja um nível educacional e cultural menor do que o seu potencial, o que leva a empregos em posições inferiores e, consequentemente, a um nível socioeconômico menor”, matéria UOL.

imagem do google

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O adulto com essa doença pode apresentar algumas dificuldades corriqueiras. Dentre elas:

-dificuldade de organizar o tempo e as atividades;
-está sempre adiando tarefas;
-não gosta ou não consegue ler textos ou material que exige concentração e esforço mental maiores;
-perde coisas como carteira, chaves e telefone;
-esquece compromissos;
-é impulsiva e perde a paciência com facilidade;
-não consegue esperar a sua vez em filas, por exemplo;
-frequentemente tem oscilações de humor;
-apresenta baixa autoestima.

 

Minha história relacionada o TDAH

Vou contar um pouco da minha história relacionada ao TDAH para vocês. Bom, eu sempre fui uma criança mega inquieta, comi soda caustica aos 3 anos, coloquei fogo no quarto da minha mãe, caia muito, sempre, quase todos os dias e as quedas eram feias, de deixar a minha mãe desesperada. RS…. Quando comecei a minha vida escolar ficava sempre no mundo da lua, sempre muito desatenta, nunca sabia o que estava acontecendo ali, eu estava em sala de aula, mas é como se não estivesse, os meus pensamentos sempre me engolindo.

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Estudei sempre em escola pública, na oitava série um professor me xingou na sala de aula. Ele me fez uma pergunta sobre o assunto que ele estava ministrando e como eu estava “em sala, mas nunca estava” eu não soube responder e não sabia nem do que ele estava falando, ele começou a me falar um monte de coisas, perguntando se eu era doente, porque que eu vivia sempre muito apática e uma série de outras coisas, esdrúxulas, gritando como um louco, tudo isso na frente de todos os meus colegas de turma. Esse tipo de coisa aconteceu com outros professores, não dessa maneira tão grotesca, mas de me chamar para conversar sobre a minha falta de atenção sempre rolou. E como na minha época o assunto não era tão falado como hoje eu não imaginava que tinha essa limitação. Simplesmente me achava a mais burra de todas as criaturas. E com isso fui ficando muito insegura, com muito medo de falar em público (sempre achando que ia falar uma besteira), sempre faltando aos seminários para não ter que apresentar os trabalhos, enfim um verdadeiro martírio.

Na adolescência tive alguns amigos que tiravam muito sarro de mim (amigos não, alguns idiotas que passaram pela minha vida) meus amigos são ótimos. Por estar sempre pensando em outras coisas e nunca viver o presente eu acabava falando coisas muito nada a ver em algumas conversas, trocava palavras e frases que eu queria falar pelas que eu estava pensando. Ouvia muito a frase “que guria burra”. Hoje eu acho graça, mas antes não tinha um pingo de graça.

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Aos 23 anos eu estava me sentindo muito, muito, mega incomodada, queria estudar para concurso, fazer pós-graduação (coisa que eu não conseguia). Ficar em uma biblioteca pra mim era total perda de tempo, prestava atenção em tudo menos nos livros, sempre foi assim prestava atenção em tudo menos no que eu realmente precisava me ater, meus pensamentos sempre me engolindo, total falta de controle sobre eles. Tenho insônia até hoje por não conseguir parar de pensar.

E fui à busca de um tratamento, contei toda essa história para a psicóloga, bemmm mais detalhada e ela me pediu para que eu fosse ao neurologista e assim eu fiz. Fui ao neuro que me passou uma série de exames e nos exames acusou o TDAH num grau bem altinho. O médico me passou o tratamento com a Ritalina (um remédio que trata o transtorno). Mas eu tive muita resistência, não me adaptei e não quis tomar, na verdade eu não queria ficar dependente de remédios, pensava: “Não sou doente e não vou tomar”. E não sou doente mesmo e nem burra, só tenho essa limitação, um transtorno (aí como queria ter falado isso para alguns idiotas há alguns anos lá atrás).

Eu fiz minha pós–graduação ainda sem tratar o transtorno, adotei um mecanismo, gravava todas as aulas e as ouvia em casa, porque lá na hora eu não conseguia messssmmmmooo prestar atenção. Esse mês, já com 25 anos eu voltei a fazer terapia e a minha nova psicoloca me pediu quase que pelo amor de Deus para eu voltar a tomar o remédio. Eu voltei a tomar na semana passada porque eu vi uma matéria no Fantástico no domingo retrasado, 10.03 e me identifiquei demais com tudo que foi falado e percebi a real necessidade de me tratar. Agora é ver se vai rolar. Vamos aguardar os resultados.

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Galera só queria dizer que o TDAH é uma coisa bem chata de se ter, chata mesmo ainda mais no meu caso que não fui tratada na infância, muito menos na adolescência e pensava que eu era mega burra e me menosprezei a vida inteira por isso. Ainda hoje sofro muito por conta do transtorno. Sou mega hiperativa, não consigo ficar parada, não consigo ver um filme quieta, ver uma TV ou coisas desse tipo, mas estou bem confiante no meu tratamento. Ele só depende de mim, né!

Mas isso não é burrice é uma limitação e todo mundo tem uma limitação, todo mundo mesmo, tem gente que é muito bom em uma coisa e é péssima em outra. Eu estou com 25 anos convivi por toda a minha vida com o transtorno, estudei em escola pública que não é boa, não mesmo, existem várias deficiências. E mesmo assim eu consegui concluir toda a minha vida acadêmica, estou graduada e pós graduada. Você que é adulto e passa pelo mesmo problema não vai parar sua vida por conta disso. A gente leva aos trancos e barrancos, mas leva. Eu sempre fui uma aluna mediana, as notas na maioria das vezes eram sete ou oito, às vezes rolava uns nove e dez, mas não era com tanta frequência, se bem que na graduação e na pós rolaram muitos \o/ RS. O importante é que eu venci e se com o transtorno e estudando em escola pública e com algumas dificuldades dentro de casa eu cheguei até aqui, agora me imaginem daqui para frente fazendo o tratamento, ninguém me segura. Vou muito longe, muito mesmo. Estou fazendo terapia e tomando a medicação receitada pelo neuro.

E pra você que vivi com a mesma limitação, adote posturas que te ajude, grave as aulas, peça os slides para os professores, anote as coisas para você não esquecer, porque eu sei que o esquecimento rola muito também, enfim encontre um jeito de driblar o TDAH.

Vou deixar aqui para vocês o vídeo do fantástico, ele é ótimo e me deu um empurrãozão para querer levar o meu tratamento a sério.

 

 

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. mariabeatrizcc
    abr 04, 2013 @ 12:37:09

    Eu passei pela mesma coisa que você, só descobri depois que eu me formei… A diferença foi que eu comecei a tomar Ritalina imediatamente e a minha vida mudou, e em aspectos que eu nem imaginava que eram afetados pelo TDAH. Tem alguns efeitinhos colaterais, principalmente no início, mas no fim das contas o saldo é MUITO positivo🙂 não desanime hehehe

    Responder

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